segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Chega de Clichês!

Por uma internet melhor, mais inteligente e interessante.
 
Sinceramente, não aguento mais ler as mesmas coisas, as mesmas frases de efeito, as mesmas citações apologéticas, as dez dicas para isso, as cinco mais aquilo, as quinze sugestões que me transformarão no melhor nisso ou naquilo.

Chega!

Você sabe o que é um clichê?

Se não sabe, vou lhe explicar o que é.



Fonte: http://oficinahobby.blogspot.com.br/
Um clichê é uma placa de metal onde são gravados, através de um processo fotomecânico, os textos e imagens que serão impressos em papel.

Quem me ensinou isso foi minha mãe (Zulma Victória da Silva), que é revisora* há quase sessenta anos. Aliás, é ela quem revisa meus textos aqui no blog. Ou pelo menos os que enviei para ela revisar.

Quando era criança, lembro-me de vê-la debruçada sobre um calhamaço de folhas de papel jornal, espalhados pela mesa da sala de jantar. Eram as chamadas primeiras provas dos livros. Os textos originalmente escritos pelos autores, que ela revisava por uma ou duas vezes, antes de serem publicados. Lembro-me que aquelas folhas chegavam em casa bonitinhas, limpinhas, só com os textos em preto sobre o tom pálido do papel. Com o tempo, a depender da qualidade do autor, o trabalho de minha mãe deixava-as mais ou menos coloridas, com as anotações em azul, vermelho ou grafite, correções e reconstruções dos textos que seguiam um código de sinais e procedimentos específicos da sua atividade. Em alguns dos trabalhos, lembro-me,  ela quase que reescrevia totalmente os textos.

Hoje, a maior parte desse trabalho é feita automaticamente pelos editores de texto dos computadores, onde são originalmente digitados. Ou melhor, acha-se que isso é feito automaticamente, pois na verdade a transformação que minha mãe fazia, e continua fazendo nos textos que revisa, jamais vi ser realizada por qualquer software.

Nunca esqueço de vê-la comentar: “Olha só, ele (o autor) construiu a ideia de forma invertida. Está confuso!”. Ela reorganizava a estrutura do texto e... Voilá! tudo ficava mais fácil de entender.

Bem, mas minha proposta aqui não é falar do trabalho de minha mãe, ou sobre como redigir melhor e de forma mais clara e correta.

Será mesmo!?...

Acho que mais ou menos.

Se não quero tratar da forma, quero sim tratar do conteúdo.

Quero demonstrar o meu repúdio ao uso abusivo dos clichês, mas aqui no seu sentido figurado: dos clichês enquanto lugar-comum, aquilo que é dito repetidamente como argumento de convencimento ou comprovação de uma ideia, um pensamento ou uma tese.

Assim como o clichê tipográfico, o clichê, no sentido figurado, é algo que tem por finalidade reproduzir várias vezes o mesmo texto e, por consequência, o mesmo pensamento, a mesma ideia, a mesma opinião, a mesma tese.

Sou um internauta contumaz. Passo boa parte do meu tempo na web, pesquisando, lendo, analisando e escrevendo ou fazendo o mesmo no mundo material, através de livros e papers (trabalhos acadêmicos e científicos). Tudo isso gera conteúdo que, somado à minha experiência, se transforma nos treinamentos e ações formativas que aplico. Enfim, a internet é meu ambiente e uma das fontes importantes do meu trabalho.

Meu tema de interesse? O ser humano e, em especial, o seu comportamento no contexto profissional.  Dentro desse tema priorizo os conteúdos que tratam das emoções e sua dinâmica, e da racionalidade inerente ao comportamento humano que ocorre dentro do contexto profissional, com destaque para as atividades de Atendimento e Venda.

Pois é precisamente aí que mais tenho perdido minha paciência!

Busco algo novo, revelador, mas só encontro, cada vez mais, clichês. As mesmas citações, as mesmas abordagens, a mesma superficialidade, a mesma falta de consciência e dedicação de quem se propõe a escrever sobre esses temas.

Às vezes me ponho a refletir: “Por que tanta gente escreve as mesmas coisas sobre esses temas? ...Será que é por que querem demonstrar que sabem o que todos já sabem e assim poderem se sentir parte da tribo? ...Será que é para apenas consolidarem seu entendimento? ...Será que é por que se deixaram contaminar pelo meme da evangelização? ...Ou será que é apenas falta de consciência?”

Seja lá qual for a resposta, uma coisa é certa: é profundamente frustrante, e por consequência irritante, ter que ler, ou pelo menos passar os olhos em tanto texto e comentário ruim, sem originalidade, sem novidade e sem conteúdo, se posso assim dizer. E que fique claro que não estou aqui criticando a forma, a qualidade da redação, mas apenas o conteúdo. Até por que, não me vejo com competência para criticar estilos e qualidade de redação.

Ora, se não há nada de novo a dizer, que nada se diga . É melhor utilizar esse tempo para ler e saber o que já foi e já está sendo dito (de novo).

A internet simplificou, barateou e democratizou o acesso ao escrever e publicar, mas ao mesmo tempo banalizou essa atividade.

Era natural que isso acontecesse, não?

Entendo que sim. Contudo, não acho que devamos apenas aceitar silenciosamente todo esse lixo que é colocado diariamente na web. Acho que temos que exercer o nosso papel de críticos ativos e forçar aqueles que escrevem a fazê-lo melhor. É preciso comentar sem pudor, analisar sem medo, criticar positiva ou negativamente tudo aquilo o que lemos na web. Vamos combater esse vício das frases repetidas, dos chavões e da desanimadora previsibilidade das abordagens. Vamos exigir que nosso tempo de pesquisa e leitura seja respeitado e proveitosamente utilizado, seja com provocações críticas inteligentes, ou com revelações e descobertas que nos levem verdadeiramente a repensar e a criticar nossos conhecimentos e opiniões.

Já me bastam os filmes cinematográficos norte-americanos.

Chega de Clichês!
 
 
*Revisor de textos é o profissional encarregado de revisar material escrito com o intuito de conferir-lhe correção, clareza, concisão e harmonia, agregando valor ao texto, bem como o tornando inteligível ao destinatário ― o leitor. Fonte: Wikipédia.
 

 

 
 
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